Estudo confirma que quem leva a vida com mais bom humor tem menos chances de sofrer problemas coronarianos
Por Paloma Oliveto //palomaoliveto.df@dabr.com.br
Pensar positivo, cultivar o otimismo e ser bem-humorado podem parecer conselhos óbvios saídos dos livros de autoajuda. A ciência, contudo, confirma que encarar a vida com mais leveza é, de fato, um santo remédio. Pela primeira vez, uma pesquisa se concentrou na ligação direta entre a felicidade e o risco de desenvolvimento de doenças do coração. O resultado é que os pessimistas têm maior probabilidade de sofrer de problemas coronarianos do que aqueles que sempre têm um sorriso estampado no rosto.
Publicado do periódico European Heart Journal, o estudo analisou por um período de 10 anos 1.739 adultos saudáveis - 862 homens e 877 mulheres. No início, enfermeiros avaliaram os riscos cardíacos de cada um dos participantes e, a partir dos testemunhos particulares e dos resultados clínicos, mediram os sintomas de depressão, hostilidade e ansiedade e o grau de expressão das emoções positivas.
Essa última variável é definida como a experiência de emoções prazerosas, comoalegria, excitação, entusiasmo e contentamento. Os sentimentos podem ser transitórios, mas geralmente são estáveis e se tornam uma característica da personalidade, principalmente na idade adulta. O que não significa que uma pessoa que geralmente é feliz não possa, ocasionalmente, se sentir ansiosa, com raiva ou deprimida.
Depois de levar em consideração esses fatores, além da idade, do sexo e da predisposição a riscos cardiovasculares, os pesquisadores descobriram que, passada uma década, as pessoas otimistas tinham 22% menos riscos, numa escala de zero a cinco, de sofrerem de problemas cardíacos, comparando-se às que não eram tão bem-humoradas. Houve 145 (8,3%) ocorrências de males como enfartos durante os 10 anos, sendo nove fatais. Isso significa uma taxa de 9,72 eventos por ano em cada mil pessoas. Para ter certeza do efeito "pensamento positivo", os médicos ajustaram as variantes. Os otimistas, ainda assim, levaram vantagem em relação aos outros, independentemente de idade, sexo ou predisposição.
"Também descobrimos que os participantes que eram otimistas na maior parte do tempo mas, ocasionalmente, sofreram algum sintoma de depressão ao longo da pesquisa, continuavam com baixos riscos durante o período", disse a médica Karina Davidson, principal autora da pesquisa. Segundo ela, ainda não se sabe se uma pessoa que já foi vítima de problemas cardiovasculares pode melhorar o estado de saúde caso se torne mais otimista. "Mas é bastante interessante pensar que isso seja verdade."

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