30 de junho de 2010

Futuro na lona - parte 2

Alcoolismo juvenil

Entre as regras próprias criadas por adolescentes está o consumo de álcool e drogas. Estudos recentes mostram que a situação nesta área é preocupante, em especial na questão do consumo de bebidas.

No começo do mês, o Centro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), composto por doutores e mestres da Universidade Federal de São Paulo, divulgou um estudo que indica que o consumo é bastante comum entre os alunos do Ensino Médio.

E não se trata de tomar uma cerveja no bar com os amigos eventualmente. Os jovens têm bebido muito.

Um terço dos 5.226 estudantes ouvidos pelos pesquisadores declarou ter se embriagado com cinco ou mais doses de álcool ao menos uma vez no mês anterior; 5,4% das meninas e 7,3% dos garotos disseram fazer isso de três a cinco vezes por mês.

Foram colhidos depoimentos de adolescentes de 15 a 18 anos de 37 escolas privadas de São Paulo. No final do ano, o Cebrid pretende apresentar um levantamento nacional, com escolas públicas e privadas, que deve fornecer um retrato mais amplo.

“A primeira coisa que a gente percebe é que o consumo de álcool começa em casa, através de familiares. Muitas vezes essa embriaguez está associada a uma embriaguez do pai e à aceitação social do consumo do álcool. A família tem um papel muito forte na educação do adolescente”, explica a doutora em psicobiologia do Cebrid, Zila van der Meer Sanchez, uma das responsáveis pelos dados. “Além disso, tem sim a lógica do grupo. O adolescente quer pertencer a uma turma. É uma fase de definição, de se desvincular dos pais”, relata.

Além de se basear no controle de espaços e formação de grupos dominantes pelo uso da força, o consumo de álcool em excesso também alimenta a violência, pois quem exagera na bebida pode ficar mais agressivo.

Para a especialista do Cebrid, que além de estudar o consumo de álcool em excesso entre os jovens também escreveu uma tese de doutorado sobre a importância de práticas religiosas na recuperação de dependentes químicos, os pais precisam saber dialogar e não simplesmente impor restrições de qualquer maneira.

“É preciso conversar e negociar ao impor limites. Sem oferecer alternativas de lazer, sem diálogo, sem explicar os riscos e perigos, a imposição não faz nenhum sentido para o adolescente”, afirma.

“A família, a religiosidade e a informação podem ter papel importante ao se lidar com o problema”, destaca.


Fonte: http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=981&cod=149785&edicao=950

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